
Deixei-te porque quando o vento soprava era frio e entranhava-se nos meus ossos e, quando te pedia que me aquecesses, davas-me pouco calor. Talvez eu não te tivesse pedido da forma correcta, talvez devesse ter-te procurado de forma diferente. Mas acho que independentemente de tudo, uma parte essencial de quem eu sou ganhou vida própria e, sem eu saber, foi à procura de mais...
Deixei-te porque se converssássemos sobre o assunto acabarias por me convencer que eu estava a ser ridícula, vaidosa, egoísta, pateta ou qualquer outro adjectivo que tivesses de usar para ganhar a briga...
Deixei-te porque não podes mudar aquela parte profunda de ti mesmo que ninguém pode mudar, aquela parte que sonha à noite, que precisa que o seu mundo tenha uma determinada ordem. Não te culpo por isso. Eu sei que ainda é dificil mudar. Essa parte de ti teria de morrer e nascer outra. Sei que a tua resposta a isto é que eu nunca te cheguei a dar oportunidade de mudar. Mas o que eu sinto é que te dei essa hipóteses todos os dias...
Deixei-te porque tinha que ser. Agora tens tu de me deixar a mim. Sem ódio ou raiva. Deixa-me em nome da vida que tens direito a viver, com alguém a teu lado que te possa dar o teu. Talvez nesse momento tu e eu possamos recuperar as nossas memórias. E nós temos tantas!!!
Independentemente de tudo aquilo que eu deixei, essas recordações são preciosas para mim. E essas, eu nunca deixarei...